
Chama ardente, desejo vibrante que nos consome. Lânguidos sorrisos, olhares incandescentes, tumultuoso deleite. Vícios corroídos pela dor. O meu corpo enlaçado em ti no leito da perdição. O silêncio penetra-me, incessantemente. O luar recortado numa negra tela adquire contornos dementes. Lágrimas, risos sufocados mitigam a dor.
Os sentidos esfumam-se e desvanecem (que saudoso tocar!). Flutuamos imateriais, despojados de preconceitos. Renegamos a mortalidade, substância transcendente, num limiar perene, intemporal. Num frémito carnal, o teu corpo brota seiva e suor.
Timidamente, estremeço nesta embriaguez desmedida, num êxtase desconcertante. Despertam as horas impuras, sombras e reflexos mortos. Cessam os murmúrios, permanecem os toques, o eco do que fomos, (somos ainda?!). Vai-se o calor, o sonho, o instante: prevalece o desespero, a insónia, a eternidade. Permaneço eu, nua, frágil, só.
(24/08/2008)

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