
Nada mudou, meu amor.
A tua voz, anunciando a madrugada,
Arrebata ainda, num lamento de dor,
Meu corpo nu, minha alma desmaiada.
Morrem em ti poentes,
Desfeitas as ilusões e cansaços
De tempos remotos, diferentes,
A que me acorrentam teus abraços.
É absurdo este viver,
Este sonho descomposto,
Que me embala sem eu querer
Encobrindo o teu rosto.
E assim prossigo para sempre,
Numa existência condenada
Por teu riso demente,
Por tua ânsia insaciada.
(08/07/2009)

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