segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Último Adeus


Já faz oito anos. Ainda me recordo do teu sorriso desmaiado, aquele que esboçavas sem compromissos, nos momentos de inércia e ócio que pensávamos perdurarem para sempre. O odor a alfazema e café permanece em mim, insistentemente, forçando-me a relembrar de ti a cada instante. Por vezes, quando acordo sobressaltada a meio da noite, ainda espero que me estreites contra o teu peito, me aconchegues o lençol e me acaricies o cabelo.

A verdade é que ainda não te perdoei por me teres abandonado, entregue à crueldade da vida sem eu saber como a enfrentar. No entanto, como passou tanto tempo, resolvi escrever-te, nem sei bem porquê, talvez para cessar esta dor incessável, secar as lágrimas que me teimam em escorrer pelo rosto, quando acordo a meio da noite e tu não estás.

Amei-te incondicionalmente, e os momentos mais felizes passei-os contigo. Sei que não fizeste por mal, não me privaste de todos os sonhos e brincadeiras pueris propositadamente. Foste apenas uma vítima, vítima do destino e da vida que, ironicamente, não te deixou viver.
No final, quero somente agradecer por te ter conhecido. À noite, quando estiver a chorar, sei que tenho motivos para estar feliz, porque, no fundo, nunca me abandonaste.

(19/11/2007)

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